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Consumo de peixe e ômega-3 na saúde cardiovascular

Por Dra. Maria Camila Pruper - 8 de março de 2016

As doenças cardiovasculares são as principais causas de morte no Brasil e no mundo e a prevalência aumenta acentuadamente no decorrer dos anos. A necessidade de estratégias eficazes e de baixo custo como medidas preventivas são as primeiras alternativas a serem adotadas, com foco nas modificações no estilo de vida.

Nesse contexto a alimentação constitui importante ferramenta na redução do risco cardiovascular e possivelmente na prevenção de eventos clínicos. Evidências científicas comprovam a relevância de alguns alimentos na modulação do risco cardiovascular.
O consumo de ácidos graxos poli-insaturados, em particular o ômega-3, constitui papel potencialmente interessante na prevenção primária e secundária das doenças cardiovasculares, visto que desempenha importantes funções na estrutura das membranas celulares, nas vias metabólicas e na sinalização celular, promovendo a redução das dislipidemias e da resposta inflamatória.
Dentre os ácidos graxos da família ômega-3, o ácido α-linolênico (ALA) está presente em óleos vegetais (em pequena quantidade no óleo de soja e de canola e em maior quantidade no óleo de linhaça), peixes e crustáceos, óleo de fígado de bacalhau, nozes e soja; enquanto o ácido eicosapentaenoico (EPA) e o ácido docosahexaenoico (DHA) são derivados, quase que exclusivamente, de fontes marinhas, como peixes e algas e são citados como principais compostos benéficos na saúde cardiovascular.
A American Heart Association recomenda o consumo de peixes, pelo menos duas vezes por semana, para prevenção primária das doenças cardiovasculares e o consumo de 1g/dia de EPA+ DHA para indivíduos em prevenção secundária. Além disso, a I Diretriz sobre o Consumo de Gorduras e Saúde Cardiovascular, com ênfase no efeito positivo do EPA e DHA na redução de TAG, recomenda a suplementação de 2-4 g/dia para indivíduos com hipertrigliceridemia grave (>500 mg/dL) refratária a medidas não farmacológicas.
Na década de 70 foram publicados os primeiros estudos mostrando a relação inversa entre o consumo de ômega-3 e a prevalência de dislipidemias em esquimós. Desde então, vários estudos confirmaram a ação positiva desse ácido graxo poli-insaturado em relação a diversos fatores de risco cardiovascular. Embora o ômega-3 de origem animal tenha grande participação na proteção cardiovascular estudos têm demonstrado que o ômega-3 de origem vegetal também exerce ação cardioprotetora.

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